terça-feira, 2 de abril de 2013

A Educação de ontem é a Educação de hoje


           O que será que mudou na metodologia de vinte anos atrás comparada com a de hoje? Nós sabemos que surgiram várias invenções neste tempo, tudo ficou mais sofisticado, e a educação mudou? Pelo que se observa pouco mudou na educação, o professor perdeu o autoritarismo que poderia castigar os alunos, mas também perdeu a referência e o respeito pela sociedade, devido à má formação ou despreparo. A pedagogia de antigamente é conhecida como diretiva, onde que os alunos devem ficar quietos para o professor transmitir o seu conhecimento, autoritário, e sua epistemologia é basicamente empirista. Segundo Becker (1995): “Nessa sala de aula, nada de novo acontece: velhas perguntas são respondidas com velhas respostas. A certeza do futuro está na reprodução pura e simples do passado.”. Acredita-se que o professor tem o poder de passar a matéria para os alunos somente com a explicação, que todas as crianças são iguais, se funcionou com um deve funcionar com todos.

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/_sg_ZfhE75Iw/TCd4FmgBkNI/AAAAAAAAAGQ/LjdTOKy-_As/s1600/educ+69.jpg

            O ensino em muitas instituições ainda é o tradicional, pois os educadores têm medo de inovar. Pensam que se ensinarem como aprenderam, os seus alunos terão que aprender. Acabou o tempo em que o professor transfere o conhecimento direto para o cérebro do aluno, que existe um cronograma que foi programado para ser seguido à risca. Assim o professor está alienado, onde que “o educador não domina nem o processo, nem o produto de seu trabalho, já que está excluído das grandes decisões e, portanto, do próprio sentido de sua atividade” (VASCONCELLOS, 2002, p. 20). O professor, muitas vezes faz tudo de forma mecânica, planeja uma aula e nos seguintes anos aplica o mesmo plano sempre, não está preocupado com o contexto do aluno, ou ainda outro ponto importante que seria o conhecimento prévio, fazer o aluno ir ao limite do seu conhecimento, este é o papel do educador. Vasconcellos (2002, p. 21) define o ensino bancário desta forma:
O processo ensino-aprendizagem pode ser assim sintetizado: o professor passa para o aluno, através do método de exposição verbal da matéria, bem como de exercícios de fixação e memorização, os conteúdos acumulados culturalmente pelo homem, considerados como verdades absolutas. Nesse processo predomina a autoridade dos professores enquanto o aluno é reduzido a um mero agente passivo. Os conteúdos, por sua vez, pouco tem a ver com a realidade concreta dos alunos, com sua vivência. Os alunos menos capazes devem lutar para superar as suas dificuldades, para conquistar o seu lugar junto aos mais capazes.
            Alguns professores atualmente pensam que se seguir o livro didático e explicar de forma clara, os alunos aprenderão. Cada aluno tem suas características individuais, suas capacidades cognitivas, e o professor deve se preocupar com o aluno. Saber quais são as suas capacidades e procurar desenvolvê-las. O aluno não pode ser tratado como uma “poupança”, onde o professor aplica seu conhecimento, faz a repetição até que os alunos “entendam” o conteúdo. Esse ensino distancia o professor do aluno, deixando o professor como o dono do saber e o aluno como mero aluno. Muitas vezes o professor está ensinando alguma coisa e nem sabe o porquê daquilo, se o próprio educador não sabe o que aquilo significa o que será que os alunos vão achar desta matéria. As verdades absolutas como diz os autores se renovam, e hoje é uma verdade que o ensino está precário e precisa mudar.
Então, pode-se prever que o aluno de antigamente não é o de hoje. Os meios, a educação, a sociedade, tudo modificou e nós educadores temos que começar a transformar essa realidade para melhor, este é um grande desafio que temos na nossa profissão.
“Na metodologia expositiva o aluno recebe tudo pronto, não problematiza, não é solicitado a fazer relação com aquilo que já conhece ou a questionar a lógica interna do que está recebendo, e acaba se acomodando. A prática tradicional é caracterizada pelo ensino "blá-blá-blante", salivante, sem sentido para o educando, meramente transmissora, passiva, a-crítica, desvinculada da realidade, descontextualizada” (Vasconcelos, 2002).
A metodologia muitas vezes aplicada nesse ensino é a oral, e o autor Vasconcellos (2002, p. 25) relembra que: “a tradição oral é uma das mais antigas formas de transmissão cultural da humanidade (ex.: beduínos no deserto)”. Ela se caracteriza pela exposição organizada dos conteúdos pelo professor e transmitida de forma linear aos alunos, formando um homem conforme um padrão ideal. A apresentação do professor, só deixará de ser um “blá-blá-blá” se ele propuser ao estudante, meios que demonstrem que isto é útil no cotidiano. Uma educação que passou por séculos e pouco se modificou. Com certeza esta educação deu certo em algumas épocas, mas hoje não se pensa mais assim. Alguns pais têm certo apego por essa pedagogia, copiar e copiar no caderno, do caderno à avaliação foi assim que eles aprenderam, portanto eles creem que seus filhos também devem ter seus cadernos repletos de uma matéria complexa, e sem contar às avaliações que sempre deve existir, a prova deve conter uma repetição daquilo que fizeram em aula, dos exercícios e das explicações. Este paradigma de ensino deve ser quebrado, acabar com a resistência que se tem por propostas inovadoras ou em alguns casos o preconceito por educadores novos na escola.
Será que esses pais não veem que o mundo está diferente, cada dia é inventado algo que nunca se pensou em ter e que a cultura de hoje é completamente diferente de que anos atrás. Assim se torna um círculo vicioso como cita o Vasconcellos: “a sala de aula fecha-se sobre si mesma, formando o círculo vicioso da alienação do trabalho pedagógico: do livro ao exame, do exame ao livro”. (2002, p. 29). Cada pai deveria repensar nessas atitudes e dar apoio aos professores quando eles procuram renovar, muitas vezes até a escola reprime esse potencial do professor com medo da reação dos pais. Se os próprios pais pensam assim, o que seus filhos iram pensar? Esses filhos não têm culpa que os pais creem nisso. O principal culpado é a escola que engana os estudantes que são crianças e muitas vezes inocentes.
Alguns professores acreditam que os livros foram feitos por pessoas muito capacitadas, intelectuais sábios que se seguirem a risca o programa proposto à aprendizagem por parte do aluno não terá falha ou que a culpa é totalmente do aluno. Assim me questiono, será que quem faz um livro didático fez para qual cultura? Para qual região? O Brasil é um país vasto, possui diferentes etnias e muitas culturas. O ensino do aluno depende muito da cultura, da sociedade, a realidade é um ponto importantíssimo que deve ser analisado. Qualquer livro didático é vendido por todo país, é um auxílio ao educador, mas não pode ser seguido à risca. Deve ter um tempo para analisar o aluno, a sociedade antes de chegar e apresentar o conteúdo, porém o que algumas vezes é visto que os professores pegam os livros e despejam o conteúdo.
A metodologia expositiva está presente em muitas escolas porque é de baixo custo e ainda tem um caráter de hierarquia. O baixo custo é excelente para o estado já que para esse tipo de ensino só se precisa do professor, e também os professores um pouco mais experiente tem medo de ousar, então cabe aos novos educadores esta tarefa. Além dos educadores terem coragem para ousar e, também precisam do apoio da escola para ajudar o professor. Hoje, o ensino tradicional tem o apoio de alguns recursos tecnológicos para melhor o ensino-aprendizagem, porém somente isto não faz uma nova forma de ensinar.
A única preocupação do professor nesse ensino é seguir o “programa” e fazer avaliações após a exposição. Esse ensino é dado de forma “mastigada”, onde que o professor ensina tudo para o aluno. Ele expõe a fundamentação e o significado, assim o aluno não precisa pensar e nem há questionamento. O tempo que o professor perde com esse ensino, é pouco, assim não há preocupação para que “programa” seja comprido. E ainda conforme Vasconcellos (2002, p. 32): “nosso modelo econômico é de dependência com relação ao do primeiro mundo: não precisamos de cérebros pensantes, envolvidos com as questões nacionais e sim quadros servis à lógica do capital internacional.” A escola, então proporciona que os alunos não precisem pensar e esta é uma situação da reprodução social que a sociedade brasileira está inserida.
Concluindo que pouco mudou do ensino dos beduínos para o nosso, mas o mundo todo mudou radicalmente e está na hora da educação também inovar e construir novas fronteiras, um ensino dialético, onde que o professor e o educando se aproximem e construam o conhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

VASCONCELLOS, C. Construção do Conhecimento em Sala de Aula. São Paulo: Libertad, 2002.


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